27.11.08

túnel

chovia muito e eu atenta
aos pingos
se espatifarem na janela
de vidro ou na bolsa
verde de cetim

na hora do almoço
todos saem às ruas
carros buzinas guarda-chuvas
pra ver quem chega primeiro
do outro lado

no túnel grande e preto
faz um pouco de paz
em alta velocidade
prendo a respiração conto até cem
quase alcanço

mas depois do rebouças
o asfalto é seco e parece até
que o tempo passou

2 comentários:

Edgard Profecter disse...

o tempo sempre passa...

ON THE É (nada do que não era antes, quando não somos mutantes) disse...

sim, seu verbo me consome. como um raio que dilacera tímpanos e pés
bj